Vai empreender ou está desenvolvendo um projeto de Etanol de Cereais: aqui algumas ideias e reflexões para a escolha do cereal
puplicado: 17/11/2023
Ao iniciar as primeiras conversas sobre um projeto de etanol de cereais, em geral o milho é o primeiro que vem em mente. De fato, é o mais utilizado, contudo vale questionar ou manter no radar outras fontes de amido para a produção de etanol
De modo geral, a escolha do substrato está fundamentada sobre:
- Disponibilidade do substrato durante o ano e a sua possibilidade de armazenamento em caso de sazonalidade para algum tipo de proteção contra as variações das cotações
- Concentração de amido na base úmida. Menos água é melhor, uma vez que mais amido mais etanol ao final da fermentação com impacto na eficiência energética e melhor produtividade da planta
- Também importante considerar a relação do amido com os outros componentes do grão. Proteína, óleo e fibra refletem diretamente na qualidade e na quantidade dos coprodutos
- Os coprodutos não podem ser negligenciados. Pois, respondem por importante parcela na eficiência econômica e financeira da futura planta
- Considerar o nível de desenvolvimento tecnológico atual para a utilização do cereal. Preferir por tecnologia de produção difundida e estabelecida, mas sem perder a perspectiva de incorporar futuras inovações no horizonte da planta
As premissas propostas acima levam quase com exclusividade para o milho com cerca de 62% amido base úmida e em torno de 13% umidade; e parece que tem sido assim no Brasil, Paraguai e Argentina, pensando somente na América do Sul
Contudo, vale manter a atenção para o sorgo que tem mostrado aumento de produção no Brasil e principalmente para as regiões de Goiás e Triângulo Mineiro pode ser opção
O sorgo com concentração de amido e umidade similar ao milho, tem mostrado cotações, para as regiões de Goiás, em média trinta por cento abaixo do milho. Por outro lado, a concentração de óleo é baixa e de difícil extração
Já para os lados do Sul do Brasil, o trigo poderia ser considerado para processamento em planta de etanol. A atratividade do trigo parece associada em momentos quando os parâmetros de qualidade do grão não correspondem as exigidos para panificação e ou para produção de biscoitos, por exemplo
No caso específico do trigo, não se vislumbra a necessidade de modificações nos desenhos das plantas para o processamento destes cereais. Contudo, o trigo tende a render ao meio de liquefação e por consequência ao mosto de fermentação, elevada viscosidade em comparação ao milho ou sorgo
A viscosidade é causada por polissacarídeos não amiláceos, como as arabinoxilanas (são estruturas lineares de xilose em ligação beta-(1,4) com ramificações de arabinoase), além da presença de beta-glucanos
Há soluções enzimáticas disponíveis para reduzir a viscosidade de mosto de trigo. Não demanda mais que uma bomba de dosagem adicional na liquefação e outra na fermentação
A baixa concentração de óleo no trigo e no sorgo pode levar a formação de espumas durante a liquefação e principalmente na fermentação. Em geral, a adição de proteases pode ser suficiente uma vez que a estabilidade da espuma se dá por proteínas solúveis
Variedades de cultivares de sorgo com baicentração de taninos tende a formar espuma. Neste caso, a adição de protease é suficiente para o controle. Em geral, variedades de sorgo com grãos em coloração avermelhada apresentam tanino que desestabiliza a espuma pela precipitação de proteínas solúveis; então, não se faz necessário a protease para este propósito
Para saber mais sobre o assunto. Entre em contato pelos canaxa conis abaixo estamos a disposição para melhor informar sobre os tipos de grãos e seus possíveis impactos na produção de etanol. Ou para fazer qualquer comentário sobre as dicas e reflexões acima